Blog

Notas de trânsito

1. Como diz Mma Precious Ramotswe, a detective do Botswana*, “you can tell a country by its traffic”. Por estes dias tive que pegar no carro pela primeira vez em meses. Big mistake. Não ajuda muito na relação afectiva com a Nação.

2. O que diz então o trânsito português sobre Portugal? Bem, a mesma pessoa que demora horas a arrancar no sinal verde, acelera loucamente para passar no sinal quase vermelho logo a seguir.

3. Anúncio na estrada de Sines para Lisboa: “Vende-se triciclo de 3 rodas”

4. Ainda nessa estrada: há cinco anos que definha um “outdoor” do PSD local que, no início, se congratulava com a conclusão ou reparação do IP8. Dizia “Cumprimos!” e mais não sei quê. O cruel tempo tratou dele – que mais ninguém o fez… – e agora só diz: “rimos!”

5. Pichagem de beira de estrada: “Portugal a concelho!”

*da série No 1 Ladies’ Detective Agency. Conheci Mma Ramotswe pela primeira vez ao ler The Kalahari Typing School for Men. O autor, Alexander McCall Smith também tem um livro a gozar com a academia. Intitula-se curiosamente Portuguese Irregular Verbs.

This Post Has 4 Comments

  1. sapiens diz:

    Sim… para mim a questão do transito em portugal é quase uma expressão artistica. D-eficiencia mental expressa em deficiencia funcional. No fundo temos dois problemas essenciais, o primeiro é o de quem projecta que pensa o portugal de hoje como o portugal dos anos 80 onde quase ninguém tinha “pópó”,e que até lhes dá jeito fazer estradas estreitinhas… (sempre são mais uns lotes que se venden mas bermas), o segundo um problema civico onde gente atrasada (temporalmente), corre em desalme para chegar a tempo deixando para trás toda e qualquer regra de transito como se não tivesse sequer passado no código nem na condução. e sobretudo não percebendo que a solução seria saír de casa apenas uns minutinhos antes.
    enfim… problemas de indole cultural e civica, que não parecem ter cura por falta de mais dois pormenorzinhos: auto-reflexão e consciencia critica.

  2. carla nunes diz:

    Miguel, gostaria que, quando voltasses a fazer o percurso Sines-Lisboa, avisasses antes. Teria o maior prazer em convidar-te para um chá em minha casa.

  3. boss diz:

    Os livros do sr. Smith são deliciosos :) Vale muito a pena ler o “Portuguese Irregular Verbs”, muito menos conhecido que a série das ladies detectives – que está traduzida por cá, mesmo Portugal sendo uma carta fora do baralho no livro..

Leave A Reply