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A máquina emocional

Passagem breve por um telejornal. A jornalista refere que a notícia seguinte é sobre a crise; passa para imagens de uma mulher que supostamente perdeu tudo – casa, emprego, etc; é-lhe perguntado o que sente neste momento em relação ao futuro; ela responde “medo, muito medo”; tudo é pontuado por olhos lacrimejantes e música pungente. Fim da peça. Passagem para um assunto absolutamente diferente.

Já não se trata sequer de fazer jornalismo sobre casos humanos. E nem sequer se trata de “manipulação” política. Trata-se de confirmar a vox populi e transformá-la numa forma curiosa de publicidade, dando o mote e o tom para o ar dos tempos, para o registo esperado da psicologia coletiva. Trata-se de imaginar o que as pessoas andarão a sentir, “mostrá-lo” e, ao fazê-lo, efetivamente criar o ar dos tempos e os sentimentos coletivos. Os noticiários tornaram-se em máquinas de produção emocional em série.

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