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Em automático

Há uns meses atrás fui entrevistado por Ana Sousa Dias para a secção “O que sei sobre os homens” (há também a “O que sei sobre as mulheres”) da revista Pública do jornal Público. Foi muito agradável e achei ótimo que um gay assumido fosse incluído no rol de entrevistados (como teria sido ótimo ter havido também uma lésbica assumida). Há dias, por mero acaso, tropecei numa livraria em dois livros que reúnem aquelas entrevistas: O que sei sobre os homens e O que sei sobre as mulheres. Naturalmente fui ver se a minha entrevista estaria entre as selecionadas para o primeiro volume. Não estava. Já antecipando uma escorregadela editorial, resolvi espreitar o outro volume. E lá estava eu. Mas como estava fora da ordem alfabética pela qual as entrevistas estão publicadas fui espreitar a introdução, bem como o prefácio de Alexandre Quintanilha, em busca de eventual explicação para estar naquele volume e não no outro (talvez o “fora de ordem alfabética” desse conta disso, uma espécie de “fora do baralho”). Nada. Escrevi a Ana Sousa Dias que simpaticamente me esclareceu ter-se tratado – como eu aliás esperava que fosse – de um erro da editora, a ser corrigido na segunda edição. Mas ainda bem que aconteceu: já tenho um exemplo prático dos automatismos culturais nas questões de género e sexualidade: se tem nome masculino é homem e se é homem o que tem a dizer nos planos afetivo e sexual é sobre mulheres…

PS: Já depois de publicar este post fiquei a saber 2 coisas: que houve uma lésbica entrevistada e que está no mesmo volume que eu (ou seja, no certo, no seu caso). Terá sido, então, um lapso.

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