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Silly season (or not?)

Gosto de programas de culinária. Pronto. O meu  favorito de sempre foi Two Fat Ladies, seguido de Anthony Bourdain e as suas viagens pelo mundo fora, embora gostasse de Oliver e me deliciasse com a sacanagem contida de Nigella. (No outro extremo acho um horror a gritaria rude de Hell’s Kitchen).

Ultimamente acompanho MasterChef Australia quando calha. Seduz não só pela boa comida como pela forma simpática e positiva como o júri trata os concorrentes. Aprender é um prazer, e testar e examinar também pode sê-lo. Eis senão quando deparo com uma versão portuguesa deste show. E que vejo? um júri constituído por 3 brutos (incluíndo uma bruta com uma prosódia com inclinações para a rascosice); um júri maltratando os candidatos – ou seja, emulando o estilo de alguns concursos de descoberta de talentos musicais, afastando-se totalmente do MasterChef original.

Ocorreu-me então que talvez a produção portuguesa tenha percebido que o público indígena gosta de hierarquia; e que para ele hierarquia significa prepotência. No fundo mistura-se aqui uma velha tradição e uma nova pespinetice. A velha tradição é a do nosso ancien régime, de aristocratas e plebeus, de senhores e criadas, de tropa e autoritarismos; a nova pespinetice é a da “exigência de rigor e disciplina” onde, obviamente, o sentido daquelas palavras é adulterado. É o ar dos tempos (basta ouvir os lamentos sobre a educação). E o ar dos tempos alimenta-se à fartazana dos tempos antigos.

This Post Has 1 Comment

  1. sad eyes diz:

    Também não gosto desse estilo e por isso nem vejo esses programas.
    Mas infelizmente há muita gente por aí (que talvez seja o público alvo) que gosta de ver os outros e serem ridicularizados.
    É lamentável.

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