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“…aonde não estou”

Somos tão assediados pela narrativa cultural do amor romântico como pela da gratificação sexual. A segunda não substituiu a primeira, antes entrou em parceria com ela. Parceria tensa, claro, já que nos é dito que se contradizem mutuamente (e há quem tente superar a contradição: “relação aberta”, “living apart together”, etc., ou caminhar por entre as gotas da chuva). Além disso, são internamente contraditórias: encontrar O amor da vida, construir A relação, traz consigo o receio da rotina e do falhanço; procurar a variedade e a descoberta dos encontros sempre renovados traz consigo o receio do vazio. O resultado das narrativas contraditórias – e das suas contradições internas – é uma espécie de nervosismo amoroso, uma Síndrome Variações: “Porque eu só estou bem aonde não estou”. Às vezes sente-se isso nas pessoas em redor (e em nós próprios) quase como se de eletricidade se tratasse.

This Post Has 3 Comments

  1. Berliner/Bellutti/Nordano diz:

    Quiçá a solução passe por uma reestruturação ou por um abrandamento das exigências que amor romântico, dito burguês, acarreta com os seus inerentes vazio e insatisfação… por outro lado desmistificar o sexo, não continuar a ser ainda um tabu e, por conseguinte, uma obsessão…

    creio que continuamos ainda a exigir demasiado de nós e depois não se dá nada, porque, em suma, não há nada a dar, esgota-se tudo desde o início…

    A outra solução passa pela discussão da obra O Banquete de Platão nas escolas secundárias e nas Universidades…

    Só mais uma coisa: Variações cantava!!!!!

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