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Árvore, floresta, ravina

Numa crónica “descontraída” no Público de hoje, Luís Campos e Cunha perora sobre gravatas izendo: “Um artigo neste jornal explicava que condenar a gravata implicava uma sensação de castração nos homens. Embora nunca me tenha lembrado de tal, tudo bem, aceito e confesso: gosto de usar gravata também para prevenir a tal sensação de castração. Os homens compreendem-me. Além disso, uso gravata (…) apenas porque (…) é o único adorno que os homens têm direito a usar.

Há pessoas que de facto confundem a árvore com a floresta. Quem são “os homens” de que ele fala? Onde cabem – fora da categoria “homem”, só pode ser – todos os outros? Esta é apenas a versão light de coisas bem mais graves, como o caso daquele senhor (que acho que é o diretor do Sol, ou foi-o do Expresso, ou algo assim) que, ao falar do combate à crise, sugere a troca de um Mercedes muitíssimo caro por um muito caro. Exemplos das distâncias sociais em Portugal, do fosso entre grupos sociais, da desigualdade. E da forma como as elites se vêem como norma. Entre certas árvores e a floresta, uma ravina.

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