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CRÓNICA 41

THAT STRANGE 1940s FEELING

Tive de sair do ginásio sem tomar banho nem mudar de roupa. A conversa entre 3 fulanos trintões era insuportável. Sobre refugiados. De primeiro-ministro húngaro para baixo. Assustadoramente de forma não entusiasmada. Como se tudo fosse um reality show, quem engana quem, conspirações, intenções escondidas. Sem programa ou opinião políticos, apenas a banalidade da distância, a ausência de empatia. A desvergonha de falar assim, porque não se tratava de uma provocação. Nem vou dar exemplos. Para quê? Infelizmente devem poder adivinhar. A primeira coisa que pensei foi: estas são as pessoas que compreenderiam e aceitariam, mesmo sem apoiarem militantemente, o extermínio dos judeus na segunda guerra. Esta espécie de fascismo descontraído e inconsciente de o ser é, aliás, transversal na sociedade. Admiram-se muito os meus amigos por eu ser pouco sociável e passar muito tempo em casa. É que até entre gente letrada passo a vida a apanhar com a ligeireza e a banalidade de racismos, antissemitismos, sexismos, classismos e homofobias vários, sempre disfarçados de não o serem, sempre eu o paranóico e o exagerado e o “politicamente correto”. Pelo menos no gym, e perante aqueles musculosos desconhecidos, posso virar as costas, sair e vir tomar um café. Sozinho. Sim, preferivelmente sozinho. Raisparta.

PS: Estou aqui transido, na rua, de calções de gym e t-shirt molhada de suor. E sabendo que aquelas pessoas são provavelmente boas com os seus filhos, pais, amantes e que as suas opiniões decorrem do que elas acham ser uma visão natural das coisas, e justa… Não são militantes fascistas, são pessoas como eu.

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