O papel a que se presta Augusto Santos Silva é tão velho como a humanidade: o intelectual que entra no círculo máximo do poder como defensor do líder, suspendendo por uns anos o espírito crítico, sabendo perfeitamente que o que diz é instrumental. O ministério que dirige (o dos Assuntos Parlamentares) não existe: é um eufemismo para o cargo de comissário político. O tipo de agressividade que é costume encontrar-se neste papel resulta de uma fuga para a frente, porque o intelectual de aparelho sabe que o que diz não corresponde necessariamente à verdade (o intelectual não cai na volúpia de acreditar mesmo - numa política, numa missão, etc. - ao contrário do político). A única forma de lidar com a contradição é fazer uma fuga para a frente, carregar de emoções a prática política, resvalar para o modo trauliteiro. O grão-vizir é quase sempre mais assustador que o sultão, o capataz mais do que o patrão, o papista mais do que o papa.
Os Tempos Que Correm
Miguel Vale de Almeida3 Comentários »
joão manuel de oliveira escreveu em 10.February.2009 | 13:11
É… a expressão “malhar” diz isso tudo. É inacreditável o papel a que esse senhor se presta.
É a pseudo esquerda que gosta de malhar!
João escreveu em 15.February.2009 | 21:08
é pena que o intelectual MVA se tenha retirado da vida político-partidária, pq era um exemplo diametralmente oposto ao de Santos Silva.
escreveu em 24.July.2009 | 21:16
[…] O papel a que se presta Augusto Santos Silva é tão velho como a humanidade: o intelectual que entr… […]
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